Justiça

Mulher é resgatada após quase 40 anos vivendo como escrava; ela não recebia dinheiro e foi obrigada a casar

22 de Dezembro de 2020 -Redação Cabula agora
[Mulher é resgatada após quase 40 anos vivendo como escrava; ela não recebia dinheiro e foi obrigada a casar]

Uma mulher negra de 46 anos, que vivia em condições análogas à escravidão desde os oito, foi resgatada em Patos de Minas, em Minas Gerais.

Madalena Gordiano nunca recebeu salário, era impedida de sair de casa e foi obrigada até a casar com um parente dos donos da casa. 

Ela foi libertada por auditores fiscais do trabalho e pela Polícia Federal no último dia 28 de novembro, tendo sua história contada no Fantástico, da TV Globo, no domingo (20/12). Além de ser impedida de sair do apartamento onde dormia, Madalena inha como uma das principais funções a limpeza do imóvel. Ela nunca foi paga para realizar as atividades, não tinha descanso e nunca recebeu férias.  

Ainda criança, a mulher batia de porta em porta para pedir comida. Um dia, acabou na casa da professora Maria das Graças Milagres Ribeiro. "Fui lá pedir um pão para comer, porque estava com fome e não tinha pão na minha casa. Aí, ela [Maria] disse: 'não vou te dar pão, você vai morar comigo'", contou ao programa. 

A mãe de Madalena, que tinha outros nove filhos, aceitou que a família de Maria das Graças a adotasse, mas esse trâmite nunca foi formalizado. Assim que chegou à nova casa, ela foi tirada da escola e obrigada a ajudar nas tarefas domésticas e na criação de outras crianças, sem brinquedos e liberdade para sair sozinha, perdendo até o contato com a família. 

A mulher passou 24 anos nessa situação, mas o marido de Maria das Graças passou a não gostar da presença dela. Madalena foi, então, "dada" a um dos filhos da professora, Dalton Ribeiro. Nos últimos anos, ela passou a colocar bilhetes pedindo pequenas ajudas em dinheiro a vizinhos, para que pudesse comprar produtos de higiene. Seu quarto não possuía nem janelas para ventilação. 

CASAMENTO 

Em 2001, ela contou que foi obrigada a casar com um tio da esposa de Dalton, mas nunca moravam juntos. Esse homem, que já morreu, era ex-combatente e Madalena deveria receber pensões mensais de aproximadamente R$ 8 mil, que nunca chegaram às suas mãos. A reportagem descobriu, ainda, que tanto a esposa de Dalton quanto a filha de casal receberam o auxílio emergencial, mesmo que nas redes sociais ostentassem uma vida de luxo. 

DEFESA 

Em depoimento, Dalton afirmou que foi Madalena quem quis parar de estudar e que não considerava a mulher como empregada, mas sim como parte da família. Desde que foi resgatada, ela vive em um abrigo para mulheres vítimas de violência e passou a sair sozinha para alguns locais.  

Ele está sendo investigado pelo Ministério Público do Trabalho por "submeter uma pessoa a condição análoga à escravidão" e por "tráfico de pessoas". Maria das Graças também pode ser responsabilizada, já que crimes do tipo não prescrevem.

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